sábado, junho 24, 2006

Matando o mensageiro II - Êxodo

É curioso esse fenômeno. Já falei disso algumas vezes neste blog, mas a insistência de algumas pessoas em repudiar quem declara as porcarias de um lugar me faz lembrar daquele slogan patriota — e estúpido — "Ame-o ou deixe-o".

Perguntam-me: se Ilhabela é tão ruim, por que você não se muda? Eu jamais respondo; quem faz esse tipo de pergunta não merece uma resposta decente, elaborada. Mas talvez eu possa respondê-la aqui.

Não me mudo porque para encontrar um lugar melhor eu terei que ir muito longe, e eu ainda não tenho recursos suficientes para isso.

Também não me mudo porque gosto daqui, minha família vive aqui e ainda há coisas boas neste lugar.

Não me mudo talvez porque não seja a hora e talvez porque tenha alguma esperança (pouca, é verdade) de que este lugar volte a ser o que era quando o conheci.

Não me mudo por idealismo e ingenuidade.

E você? Por que vive em Ilhabela? Por que não se muda daqui? Se é migrante, o que o trouxe para cá e o que o mantém aqui? Esperança?

Comentários são livres.

quarta-feira, junho 21, 2006

Matando o mensageiro

Infelizmente não tive chance de divulgar neste blog a audiência promovida pela Câmara Municipal de Ilhabela sobre balneabilidade das praias. A audiência teve a presença de três representantes da Cetesb, entre eles a gerente responsável pelo trabalho de monitoramento das praias paulistas. A explicação foi bastante complexa e detalhada, bastante esclarecedora.

Sobre as explicações não há o que comentar. A questão da balneabilidade das praias já foi assunto de alguns posts deste blog e todas as eventuais dúvidas que poderiam ter surgido naquelas ocasiões foram totalmente sanadas.

Vale a pena comentar, no entanto, a participação de algumas pessoas na audiência. Surpreendentemente a Cetesb foi criticada e questionada em relação à metodologia das avaliações e à forma de divulgação dos boletins de balneabilidade. Seguiu-se o princípio de "matar o mensageiro". Faltou alguém dizer a essas pessoas que

i) a Cetesb colhe informações a respeito da qualidade das praias e as divulga;

ii) a manutenção da qualidade das praias não é responsabilidade da Cetesb, mas de instituições como prefeitura e Sabesp;

iii) se as bandeiras vermelhas nas praias atrapalham o turismo (um estudo interessante a ser feito), o problema, meus caros, não é da Cetesb.

quinta-feira, junho 08, 2006

A condominização de Ilhabela



Esta discussão está dando o que falar. A proposta não é diferente de tantas outras; o erro foi tê-la divulgado no Orkut. Em dias de hoje, quem quer comprar uma casa de alto padrão não vai ao Orkut, vai a uma imobiliária e conversa com um corretor a portas fechadas.

A Odebrecht construirá um condomínio fechado (mais um) em Ilhabela, chamado Yacamin, com nhenhentas unidades, entre casas, apartamentos, hotéis, um complexo esportivo e de lazer, vista para o mar e tudo o mais que o habitante endinheirado da capital possa imaginar para seu conforto e hedonismo litorâneo. É bem possível que o empreendimento siga à risca as determinações dos órgãos ambientais, mas tenho a impressão de que as favelas ilhabelenses aumentam um pouquinho cada vez que um monstrengo condominial como esses é erguido. Disso, algumas questões:

1) A quantas anda o Plano Diretor de Ilhabela? O PDI serviria inclusive para organizar esses arroubos litorâneos das incorporadoras paulistanas.

2) Alguém — empreendedores, arquitetos, corretores — já ouviu falar de urbanismo? Fico surpreso ao perceber que o assunto é ignorado e Ilhabela acaba sendo construída à base de condomínios e favelas.

3) Condomínios precisam de muita mão-de-obra braçal para serem construídos. Terminada a construção, encerra-se o emprego. Qual o impacto social disso? Argumenta-se que o impacto social desses empreendimentos é todo ele resolvido à base de impostos: o condomínio Yacamin gerará impostos durante a construção e continuará gerando impostos depois que estiver pronto. Se isso é verdade, tanto pior, pois reforça a idéia de que empreendimentos desse tipo só precisam se relacionar com a cidade através de obrigações tributárias, constituindo assim uma espécie de anti-urbanismo.

4) Não seria adequado solicitar de empreendimentos desse porte um relatório de impacto social, à maneira dos EIA/RIMA?

5) Como esses empreendedores vêem a cidade? Como os futuros moradores vêem Ilhabela? Para eles o que é Ilhabela? Um quintal? Um parque temático? Uma cidade de verdade?

6) Não seria o Yacamin uma versão ilhabelense do Parque Cidade Jardim?

7) Que a prefeitura está se lixando pra isso, não é novidade. O executivo executa as leis e elas dizem que o máximo que se pode fazer é exigir os documentos e cobrar os impostos. Finis. Contudo, isso me parece um trabalho para os intrépidos vereadores de Ilhabela, não? Que tal pedir um pouquinho de responsabilidade social das incorporadoras da capital que desembarcam aqui com seus projetos ao estilo Alphaville?

sexta-feira, junho 02, 2006

Artigo de junho

Perdi o deadline para a primeira edição do Jornal do Arquipélago neste mês de junho, mas você pode ler em meu saite pessoal o artigo que preparei. Não fala diretamente de Ilhabela, mas tem a ver com todos nós, sem dúvida alguma:

Quero meu dinheiro de volta

A propósito, como afirmei uns posts atrás, caso eu não esteja postando por aqui (realmente tenho postado pouco neste blog), certamente estarei postando em meu saite pessoal. Dê uma olhada por lá.

A todos, muito obrigado.